segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Espetáculo de dança afro Oní Xé a Áwuré estreia no Teatro Deodoro no próximo dia 10

Projeto de dança afro com jovens de escolas públicas de Maceió dá origem a espetáculo baseado na lenda escrita por Pierre Verger que será encenado em mais cinco bairros da cidade


Único projeto premiado no nordeste com I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, do Ministério da Cultura, “Dança Afro-Brasileira nas escolas” sob responsabilidade do dançarino, professor e coreógrafo Edu Passos deu origem ao espetáculo de dança afro “Oní Xé a Àwúre”, baseado na Lenda de Oxalufã, de Pierre Verger, e dirigido pelo próprio Edu Passos tem estreia prevista para o dia 10 de outubro (domingo), no Teatro Deodoro a partir das 20h, com entrada gratuita por meio de convites. Em seguida, o espetáculo será apresentado em diversos bairros de Maceió com exibições públicas mostrando o resultado das oficinas ministradas por Edu, que com 30 anos de carreira na arte da dança, mineiro, radicado em Alagoas, teve o seu projeto premiado, e que consistiu na realização de oficinas de dança afro em duas escolas públicas de Maceió: Escola Estadual Alberto Torres, situada no bairro do Bebedouro e a Escola Estadual Professor Theonilo Gama, situada no bairro do Jacintinho, onde aproximadamente 60 jovens frequentaram as oficinas durante o período de maio a julho e desde agosto vem acontecendo os ensaios para a montagem do espetáculo. No elenco estão 22 jovens.



O projeto concorreu na categoria dança, com 120 inscritos, que disputavam os prêmios de R$ 80 mil reais. Ao todo foram distribuídos R$ 1.100.000,00 para 20 projetos de três categorias artísticas com estética negra contempladas nesta edição: teatro, dança e artes visuais. O prêmio é uma iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon) e da Fundação Cultural Palmares, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.





Edu Passos explica que nos seus 30 anos de trabalho, nunca havia visto um edital voltado para expressões culturais afro-brasileiras, o que o motivou a criar esse projeto direcionado para as escolas públicas. Seu objetivo foi levar aos jovens da periferia de Maceió a dança afro-brasileira como qualquer outra disciplina do currículo escolar. Segundo Passos este prêmio é o reconhecimento do trabalho que ele desenvolve há anos e do seu compromisso com a cultura afro.



As oficinas tiveram como objetivo geral aproximar os participantes da linguagem artística da dança, trabalhando a expressão corporal e, como específico, formar multiplicadores para o ensino da dança afro-brasileira e teve sua metodologia baseada na relação entre a prática da dança e o processo reflexivo sobre o fazer. As aulas sempre foram intercaladas com leitura de textos e discussões provocadas pela Professora/Ms. Nadir Nóbrega, que é a Coordenadora Pedagógica do projeto e Diretora Cênica do espetáculo.


O espetáculo, com duração média de 50 minutos, possui formato que se adapta a lugares abertos nas comunidades periféricas que tem difícil acesso aos equipamentos culturais ou até mesmo nunca tiveram a oportunidade de assistir a um espetáculo de dança.





Numa rápida entrevista Edu Passos fala um pouco mais sobre o projeto e sobre o espetáculo:


Como surgiu a idéia do projeto?

EDU PASSOS - Surgiu quando eu li o Edital do I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileira, promovido pela Fundação Cultural Palmares, Teatro, Dança e Artes Visuais. Onde ia ser contemplado com o prêmio, um projeto de cada linguagem por cada Região do País. Aí tive a ideia de fazer um projeto onde eu aplicava oficinas de Dança Afro-Brasileira em duas escolas da rede pública de Maceió, para alunos (as) do Ensino Médio. Com o objetivo de formar multiplicadores da Dança Afro-Brasileira e o produto final das oficinas seria a montagem de um espetáculo de Dança Afro para ser apresentado em lugares abertos na periferia de Maceió. Para minha felicidade o meu projeto foi o premiado na categoria Dança - Região Nordeste.







Como se deu a seleção dos jovens?

EDU PASSOS - Primeiro escolhi as escolas: a Escola Estadual Alberto Torres, situada no bairro do Bebedouro e a Escola Estadual Professor Theonilo Gama, situada no bairro do Jacintinho. Passei em todas as turmas do Ensino Médio explicando o que era o Projeto e como ia ser desenvolvido, fiz o convite a todos e aguardei a presença deles no sábado dia 08 de maio de 2010, dia em que iniciei as oficinas.





Quais foram as maiores dificuldades até aqui?

EDU PASSOS - No início foi à resistência de alguns alunos (as) que não sabiam o que era Dança Afro. Sempre ligavam à dança afro à macumba, até que foram conhecendo e entenderam a proposta. E depois os espaços físicos das escolas, para as oficinas de dança. Não haviam salas preparadas para aulas de dança.





E a seleção para participar do espetáculo como aconteceu?

EDU PASSOS - Aconteceu naturalmente, já que todos que participaram das oficinas ficaram para o espetáculo. Até porque durante as oficinas já estávamos trabalhando com eles a montagem do espetáculo. Aqueles que não continuaram saíram por vontade própria.






Do que se trata o espetáculo?

EDU PASSOS - O espetáculo tem o título ONÍ XÉ A ÀWÚRE (Senhor que faz com que tenhamos boa sorte), baseado na Lenda de Oxalufã, de Pierre Verger. Mas a nossa preocupação foi montar o espetáculo na contemporaneidade... não levar para o palco os elementos do sagrado do candomblé.





O que é a lenda?

EDU PASSOS - A lenda conta a história de Oxalufã (Oxalá), que queria visitar seu filho Xangô. Oxalá consulta o seu Babalaô, que diz para ele, que não era uma época boa para ele fazer aquela viagem, pois se fizesse ia lhe acontecer vários incidentes durante a viagem. Oxalá que era teimoso faz a viagem e acontecem vários aborrecimentos durante o percurso e ele acaba sendo preso no Palácio do seu próprio filho, Xangô. Xangô em uma consulta com o seu Babalaô, descobre que o homem que está preso no seu Palácio é seu pai, ele ordena que o soltem e prepara uma grande festa para Oxalá.



O espetáculo contará ainda com as participações do cantor Igbonan Rocha, além dos músicos Denivan Costa, Paulinho Keita, Roberi Verçosa, Cristiano Borge e Thiago Felipe.





Ficha técnica
Espetáculo Oní Xé a Àwúre
Baseada na lenda de Oxalufã, de Pierre Verger
Resultado do projeto “Dança Afro-Brasileira nas escolas” premiado com o I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras
Estreia - Dia 10 de outubro, (domingo) no Teatro Deodoro
Convites podem ser retirados na bilheteria do Teatro Deodoro até o dia 08 de outubro.
Apresentações em praça pública:
2ª Apresentação dia 12 de outubro, (terça) na Praça Santa Tereza, na Ponta Grossa
3ª Apresentação dia 23 de outubro, (sábado) na Praça Lucena Maranhão, em Bebedouro
4ª Apresentação dia 29 de outubro, (sexta) no projeto Mirante Cultural, no Jacintinho.
5ª Apresentação dia 30 de outubro, (sábado) no Alto do bairro de Ipioca.
6ª Apresentação dia 06 de novembro, (sábado), na Praça Sebastião Elias (vizinho à Companhia da PM) no Clima Bom.
Todas as apresentações acontecerão às 20 horas.


-Coreografias: Edu Passos e Nadir Nóbrega Oliveira


-Direção cênica: Nadir Nóbrega Oliveira


-Direção musical: Paulinho Keita
-Músico (berimbau): Denivan Costa


-Percussionistas: Paulinho Keita, Roberi Verçosa, Cristiano Borge, Thiago Felipe
-Cantor e repertório: Igbonan Rocha
-Dançarinas:
Andréa Karla Pontes da Silva
Andressa da Silva Solano Moura
Christiohane Correia da Silva
Heloísa Lima de Carvalho


Larísse Darline da Silva
Luciene da Silva Santos


Niedja Tenório


Priscila Graciele da Silva Teixeira


Samila Pereira da Silva


Sheyla Morgana Pereira da Silva
Viviane dos Santos Silva
Viviane Santos do Nascimento
Yasmin Brenda Silva Santos


-Dançarinos:


Aldemir dos Reis


Denivan Costa de Lima


Diego Januário dos Santos
Elvis Santiago da Silva Santos


Joseph de Morais
José Nunnes de Souza
Marcos Paulo Marques de Lira
Rafael Oliveira Saraiva da Silva


Ricardo Cardoso Moura dos Santos


-Direção geral: Edu Passos


-Figurinista: Andréa Cavalcante de Almeida


-Arte gráfica: Marcos Elizário (Gordo)


-Cenógrafo: Acioli Filho


-Cenotécnico: Jeamerson dos Santos
-Iluminação: Edner Careca


-Som: G & T: Sonorização e Iluminação (Teco)


-Palco: Túlio Palcos & Eventos
-Assessoria de comunicação: Keyler Simões
-Produção Executiva: Tudomais Produções


Realização: Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon)


Parceria: Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Fundação Cultural Palmares


Patrocínio: Petrobras através da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), do Ministério da Cultura
Informações: (82) 9971-4281 / 3315-5656
Blogo do projeto: dancaafroescolas.blogspot.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lições de mestres

Mestre, a grosso modo, é aquele que ensina, que detém um conhecimento único e por isso é respeitado. Mas não precisa ser “letrado” para ser mestre. Alagoas é um celeiro de grandes mestres populares, mas infelizmente não são devidamente respeitados por isso, apesar de todo o seu conhecimento das coisas mais simples de nosso povo, que até para eles não passa de uma “brincadeira”, que é a forma a que se referem às mais diversas manifestações populares como reisado, guerreiro, pastoril, coco etc…, por esta razão também são chamados por “brincantes”.

O conhecimento formal é apenas (desculpe o trocadilho) uma formalidade, pois a grande maioria é analfabeta, mas nem por isso deixaram de conquistar o respeito Brasil afora. São inúmeros os casos de mestres que são convidados para apresentações e palestras em locais dos mais remotos aos mais conhecidos no Brasil e que muitas vezes são relegados ao esquecimento ou a pequenos eventos de alusão ao folclore.

A população em geral conhece muito pouco os nossos mestres e suas conquistas, muitas vezes pela falta de divulgação, apesar que hoje a informação está mais acessível graças à internet e pela mudança de consciência desta nova geração de jornalistas. Me formei em Jornalismo em 1998 e graças a uma bolsa de extensão da Pró-reitoria de extensão da UFAL em meu terceiro ano de curso, participei de um trabalho de resgate do Fandango do Pontal promovido por uma parceria entre a universidade e a Secretaria Estadual de Cultura que à época tinha o saudoso Ranilson França à frente. Foi quando conheci Mestre Isaldino, o grande responsável por essa retomada do Fandango. Foi um trabalho que durou uns seis meses e foi quando mantive o meu primeiro contato mais íntimo com a cultura popular… e foi determinante para o trabalho que desenvolvo hoje em dia.

O que me encantou e me encanta na cultura popular é a simplicidade com que tudo acontece, e foi um dos mais simples e ao mesmo tempo um dos mais fantásticos mestres da cultura popular que me fez respeitar e admirar essa arte mais ainda, há dez anos: Mestre Verdelinho, com quem tive o prazer de aprender, brincar, freqüentar sua casa e a trabalhar. Em 2006 produzi, com a direção musical de Jurandir Bozo, o seu único CD solo: Unirversando. Verdelinho era um exemplo de mestre, de pessoa, de profissional e de compositor, com um coração de ouro.

Como fiz com Verdelinho, pude conviver e trabalhar também com outros grandes mestres como: Mestre Venâncio, Mestra Hilda, Mestre Benon, Tororó do Rojão, Nelson da Rabeca, José Cícero, Franklin do pífano, Chau do Pife. Todos, pessoas muito simples, mas com uma paixão pela cultura como poucos. Aprendi com eles que apesar de mestres, todos tem os mesmos anseios e necessidades de qualquer outro. Sempre pude manter uma relação de muito respeito e de amizade, sem o distanciamento que muitos mantém, um dos aprendizados com mestre Ranílson França.

Infelizmente a maioria do que chamo de “meus mestres” já se foram: Isaldino, Verdelinho, Hilda, Venâncio, Franklin dos pífanos, além do próprio Ranilson, além de Dona Augusta, Maria do Carmo, Virgínia, Mestre Jaime, Fernando da Ilha do Ferro dentre outros. Todos deixaram grandes lições mas, a mais importante é a de que temos que valorizá-los enquanto vivos e aprender com eles para que não percamos contato com as mais simples manifestações populares fundamentais para a nossa própria identidade e para a nossa história.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Paripueira realiza 11ª edição da Festa Dark

Criada em 1994 por um grupo de amigos com o intuito de realizar uma festa divertida com um pouco mais do que só shows musicais. Assim surgiu a Festa Dark, de Paripueira (AL), localizada no litoral norte de Alagoas há 27 km de Maceió. Durante esse tempo a festa ficou sem ser realizada em seis anos, sendo que a última edição aconteceu em 2006.

 A festa mantém seu objetivo de ser pura diversão e por isso os ingressos são a preço popular, só R$ 5,00, e nesta edição, segundo o produtor do evento Genivaldo Silva, um outro atrativo será a realização do Concurso Miss Dark, onde as mais belas garotas da cidade disputam o título, e para que possam disputar o título há uma condição: quem está em idade escolar, tem que estar estudando. Serão 10 candidatas desafilando em traje de moda praia, com peças em filé produzidas por artesãs do projeto da ABEVILA, e em traje de noite.

Genivaldo explica que nos anos em que não foi realizada foi por falta de apoio, mas esse ano a Casa da Cultura ABEVILA (Associação Comunitária e Beneficente Vila Ana Maria) está dando o apoio necessário na produção: “A Festa Dark é um evento da juventude de Paripueira e para nós da ABEVILA, é uma forma, também, de divulgarmos a produção em filé que temos com as artesãs da cidade, por meio das participantes”, explicou Amaro Santos, presidente da ONG.

Serviço:
Festa Dark 2010, com o Concurso Miss Dark
Outras atrações:
-Deuses do Swing
-Mari e Junior
-Show com a transformista Ágatha Laser
Sábado, 18 de setembro
Local: Paripueira Praia Clube
Horário: 21h
Ingressos: R$ 5,00
Locais de venda em Paripueira:
- Lanchonete Coração de estudante
- Amorim Vídeo locadora
Informações: 9171-4326

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O último trupé de Mestra Hilda


Coco alagoano perde uma de suas maiores representantes

A cultura popular de Alagoas sofreu mais um baque nesta manhã, com a morte de Hilda Maria da Silva, a Mestra Hilda, a dama do Coco de Alagoas, uma das mais carismáticas e queridas mestras populares e uma das últimas detentoras do saber do coco de Alagoas, também chamado de Pagode.


Fibra é a palavra que define os fortes. Perseverança, define os destemidos. Coragem, é a palavra que define os heróis. Dona Hilda é sinônimo de todas elas. Com 89 anos de idade, completados em 1º de julho último, Mestra Hilda era uma das maiores figuras do nosso folclore e nossa cultura em geral.


Faleceu na manhã desta terça, por ironia, ainda no mês do folclore... sua vida.




Nascida e criada em Rio Largo, bem próximo à Maceió, essa senhora trabalhou muito em diversas tecelagens de Maceió para sobreviver. Vinda de família muito humilde, recebeu dos pais a influência de dançar o Pagode. Sempre que havia uma reunião de amigos, lá estava Hilda dançando e cantando o nosso pagode, mais conhecido por Coco. O que começou como uma brincadeira de criança, transformou-se em uma das mais autênticas representações do povo alagoano.


Naquela época nem se falava em manter vivas as nossas tradições. Dançava-se por puro prazer. Como o prazer que Dona Hilda ainda tem ao subir num palco e apresentar-se para um público, como ela própria diz: “Gosto de me apresentar... de ver aquele povo todo me aplaudir... Eu fico, que é uma coisa.! Se eu tiver com alguma dor ruim... melhoro rapidinho. É como uma coisa que sai do coração, que me deixa tremendo toda de felicidade...”.


Hilda da Silva, completou neste ano 46 anos de cantoria à frente de grupos de pagode e de Baianas. “Fui criada assim. Sempre que tinha uma festa, eu ia com os meus pais ou com meus amigos”, lembra Dona Hilda. Foi assim, não ao acaso, que ela conheceu e se apaixonou pelo seu marido, aos 25 anos de idade. Foram mais de 50 anos de casamento, quando em 1999 ele faleceu. Tristeza só superada pela dedicação e o prazer com seus grupos.


Quando perguntada sobre o que gosta mais, entre o Pagode e as Baianas, Dona Hilda não demorava a responder: “Gosto mais do Pagode porque é mais quente, tem um fogo... que eu gosto muito, que faz um bem danado”. Seu grupo de Pagode é, sem dúvida, o mais conhecido e o que leva no nome a força dessa senhora: Pagode Comigo Ninguém Pode, a quem ela se dedicava de corpo e alma, pois a danada não só canta e compõe, como também compra e enfeita as roupas dos “dançadores”, são 13 pessoas no total e mais 3 para entrar. Ela dizia: “Eu compro as roupas dos homens e das mulheres, que elas mesmas é que costuram”. E não fica só por aí, não. Além disso, é ela quem lava as roupas, após cada apresentação, e guarda em casa. “Quando tem uma apresentação, o pessoal passa lá em casa pra pegar as roupas, e quando acaba tem que deixar lá. Eu lavo depois com muito cuidado pra não estragar, porque senão as roupas vão se acabando muito rápido e fica feio se apresentar tudo desbotado ou rasgado. Comigo não tem isso, não... tenho dois armários: um pro Pagode e outro pra Baianas”, explicou.




“Tem paciência morena, que eu mesmo serei teu bem....”


Esse cuidado não era à toa. Ela comprava as roupas dos grupos com o dinheiro que recebe da aposentadoria e da pensão deixada pelo marido. Além disso, fazia questão que todo mundo se apresentasse “cheirosinho” e bem arrumado, como ela própria faz questão de estar. Até meninas que viviam nas ruas Dona Hilda trouxe para dançar nos seus grupos e que se mantém lá. “Só não faço mais, porque parece que a nossa cultura tá se acabando, tá querendo cair, porque não dão valor. Tem muito ‘dançador’ que não quer mais se apresentar, porque o que pagam a gente, além de muito pouco, as pessoas demoram para pagar...”


Na época perguntamos à Mestra Hilda quem seriam seus aprendizes, e ela responde: “As minhas filhas, que dançam mais a Baiana, mas sabem tudo do Pagode, e a minha nora, Duarte, que canta comigo”.


Como todos os grandes mestres dos folguedos alagoanos, Dona Hilda conviveu muito com o falecido professor Pedro Teixeira: “Pedro Teixeira foi quem me apoiou e quem me dizia: ‘Dona Hilda a senhora é maravilhosa porque a senhora sabe o que está fazendo’. Pois o meu Pagode é autêntico, sem misturar com outras coisas. Ele me apresentava nos locais... Pedro Teixeira foi a maior pessoa que me considerou”.


Dona Hilda era assim: simples, durona, exigente, responsável, e acima de tudo, uma figura simpática que representava uma grande parcela da nossa cultura... “Sei guerreiro... chegança... já dancei tudo isso., mas a memória não me ajuda mais”, e modesta, tanto é que quando perguntada sobre seu maior sonho ela respondeu: “Meu maior sonho é o meu Pagode. Essa é a minha ‘brincadeira’... é tudo para mim... é o que me deixa feliz”.


Dona Hilda Maria da Silva, tinha 89 anos de idade. Deixou 8 filhos (4 homens e 4 mulheres), mais de 30 netos, 16 bisnetos e 8 tataranetos. Seu filho mais velho é Natanael, de 72 anos. Da família, participavam do grupo Pagode Comigo Ninguém Pode: 03 filhas, 01 sobrinha e 05 netos.


"Segundo Josefina Novaes, Presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (ASFOPAL): "Dona Hilda era muito querida e é uma das maiores perdas da cultura popular de Alagoas, sem dúvida alguma".


Para Jurandir Bozo, músico, que hoje lidera o recém-fundado Clube do Coco, em Alagoas:"A energia que ela tinha era invejável... a cultura popular corria nas veias de Mestra Hilda... estamos tristes pois era uma grande referência".

Mestra Hilda estava com sérios problemas de saúde e fez sua última apresentação pública com seu grupo, num evento há um pouco mais de um mês no bairro de Jaraguá.


No início deste mês de agosto Dona Hilda recebeu a notícia que havia sido premiada numa nova lista de selecionados pelo Ministério da Cultura com o PRÊMIO CULTURAS POPULARES 2009 - EDIÇÃO MESTRA DONA IZABEL – ARTESÃ CERAMISTA DO VALE DO JEQUITINHONHA.

Bem como o Mestre Verdelinho (falecido em março deste ano) Dona Hilda era um dos maiores nomes do coco alagoano, também conhecido por Pagode.

O Coco está de luto, mas Alagoas deve muito a ela e só temos a agradecer por sua dedicação à cultura alagoana.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

17 de agosto - Dia do Patrimônio Histórico

Comemora-se o Dia do Patrimônio Histórico na mesma data em que nasceu o historiador e jornalista Rodrigo Mello Franco de Andrade (Belo Horizonte-MG, 1898-1969). Por meio da Lei nº 378, de 1937, o governo Getúlio Vargas criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), onde o historiador trabalhou até o fim da vida.

Veja o que mais se comemora hoje:
Dia do Amor  - A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação.

Dia do Porco


Dia Municipal do Camelô (MG) - Hoje é Dia Municipal do Camelô no Estado de Minas Gerais!


Dia Nacional da Indonésia - País insular do sudeste da Ásia, capital Jacarta,língua oficial indonésio.


Dia Nacional do Gabão - País da África equatorial, capital Brazaville, língua oficial francês


18 - Dia do Santo Agapito
19 - Dia Mundial da Fotografia
20 - Dia do Vizinho
21 - Dia da Habitação
22 - Dia Mundial do Folclore
23 - Dia da Injustiça
24 - Dia dos Artistas
25 - Dia do Soldado
26 - Aniversário de Campo Grande
27 - Dia Nacional do Psicólogo
28 - Dia da Avicultura
29 - Dia do Combate ao Fumo
30 - Dia do Vendedor Lojista
31 - Dia do Nutricionista


Curiosidade: Novo calendário - Está parado há 50 anos na ONU o projeto de um novo calendário em que todos os meses começariam em domingo e terminariam em sábado. Cada dia de cada mês cairia sempre no mesmo dia da semana. Teria 13 meses de 28 dias. O novo mês teria o nome de Sol e seria intercalado entre junho e julho.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Show traz Alagoas em poesia musicada no pandeiro



Minhas Alagoas São Outras - este é o nome do novo show do grupo Poesia Musicada no Pandeiro que leva ao palco a mistura de Toada, Coco e Poesia, nascida da mais autêntica expressão da cultura popular alagoana. O show acontecerá a partir das 20:30h, na sexta dia 20 de agosto, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso (anexo ao Teatro Deodoro), com ingressos a R$ 10,00, à venda no local.

A Poesia Musicada no Pandeiro tem um pouco de teatro e declamação, no entanto, é a batida grave do pandeiro tocado por Fagner Dübrown, a voz estridente do cantador Rogério Dias e o estribilho que consolidam o novo estilo de fazer popular defendida por esta dupla.


Depois de muitos pedidos a dupla aceitou a proposta do público e acrescentou novos elementos, o violão, contrabaixo, zabumba e outras percussões, se juntaram ao pandeiro preenchendo o som numa mistura que proporciona um ritmo reflexivo e dançante. Fernando Pessoa, Jorge de Lima e Florbela Espanca são alguns dos nomes que fazem parte do repertório do show, se você gosta de poesia combinada com boa música não perca. A musicista Miran Abs fará uma participação com o seu violoncelo.



O grupo atualmente é formado por: Rogério Dias (voz); Fagner Dübrown (pandeiro); Tiago Franja (baixo); Téo (zabumba); Gustavo Rolo (violão) e Andréa Carvalho (dançarina)



Serviço:


Show “Minhas Alagoas São Outras”, do grupo Poesia Musicada no Pandeiro


Sexta, 20 de agosto


Teatro de Arena Sérgio Cardoso (anexo ao Teatro Deodoro)


20:30h


Participação especial: Miran Abs


Ingressos: R$ 10,00, no local


(82) 8823-9713 / 8832-4145


www.myspace.com/rogeriodiasefagnerdubrown

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Capoeiristas alagoanos precisam de ajuda para participar de campeonato brasileiro

A Capoeira é mais que uma dança ou um esporte, é uma manifestação cultural que vem tirando jovens da marginalidade em todo o Brasil e no mundo. Mas apesar dos benefícios, seus praticantes continuam passando por dificuldades. Três atletas de Capoeira, talentos do esporte alagoano, estão vivendo uma angústia nos últimos dias. Após várias competições e eliminatórias e por fim no campeonato norte/nordeste realizado no Piauí em junho passado, classificaram-se para o Campeonato Brasileiro que acontecerá entre 17 a 22 de agosto, no Rio de Janeiro, que além da competição em si, haverá cursos, palestras, jogos e formaturas.

Todos os estados brasileiros confirmaram presença, com exceção de Alagoas, por causa do problema da falta de recursos para as passagens de ida e volta, de ônibus dos atletas. “O que precisamos é de três passagens ou o dinheiro equivalente, cerca de R$ 900,00 (novecentos reais), porque a hospedagem e a alimentação a organização do campeonato nos dará”, explica Paulo André , mais conhecido por Morcego Preto, que disputará na categoria Master e que se dedica à Capoeira há 25 anos, sendo um dos mais experientes em Alagoas e vem desenvolvendo trabalhos na área social junto ao esporte na comunidade da zona sul de Maceió, que engloba crianças e jovens de bairros do Vergel, Trapiche, Ponta Grossa, Pontal etc...



Paulo André dá aulas gratuitamente às crianças no Núcleo Cultural da Zona Sul, localizado na Rua Cabo Reis, na Ponta Grossa o que já levou vários jovens a disputar campeonatos regionais, nacionais e mundiais.




Segundo os atletas, uma das maiores dificuldades este ano tem sido a campanha eleitoral, pois nos anos anteriores era possível que os órgãos públicos e políticos ajudassem, só que com receio de infrigirem a lei eleitoral, tal ajuda ao esporte não se tornou possível neste ano.





Os atletas são:



Paulo André (Morcego Preto) – Categoria Master

Moisés Silva dos Santos (Limão) – Categoria Instrutor

Marvem Vieira (Faísca) – Categoria Graduado

O grupo tem que viajar até o próximo sábado, dia 14, para estar no Rio até a abertura do campeonato no dia 17.

Quem puder ajudar, deve entrar em contato pelo telefone: (82) 8805-7070.